estudo aponta que colapso na rede hospitalar de AL pode- Blog Giga Medical Leave a comment

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Até ontem (01), o boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Saúde (Sesau) apontou 1.226 casos confirmados de Covid-19 e 53 mortes em decorrência do agravamento da doença. Dados do relatório do Grupo de Modelagem Científica e Simulação do Surto de Covid-19 em Alagoas – Dashboard, elaborado por professores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), mostram estimativas numéricas e simulações computacionais para o mês de maio e preveem o colapso da rede de saúde.

O documento alerta que, no fim de maio, se forem mantidas as condições atuais, a epidemia ainda estará em forte crescimento, o que resultaria em uma demanda crescente por leitos de UTI mesmo após o colapso previsto, o que agravaria ainda mais essa situação em junho. “Projeções mais longas, apesar de menos precisas, indicam uma demanda da ordem de mais de 1.000 leitos de UTI no pico da epidemia”, expõe o estudo.

Estratégias

Entre as estratégias sugeridas pelos professores e pesquisadores da área da computação, física e matemática, que elaboraram o estudo, para evitar o possível colapso é essencial “a adoção de medidas de supressão da epidemia para fazer com que o número de infectados caia fortemente e isso só seria possível com um lockdown de regiões mais afetadas e restrição de circulação compulsória para serviços não essenciais”.

Outros pontos eficazes para impedir a propagação do novo coronavírus são o uso de EPIs por parte de profissionais da linha de frente; uso de máscara obrigatório em ambientes fechados e no transporte público; providências para evitar aglomerações (internas e externas) relacionadas a serviços essenciais como bancos, mercados e farmácias; testagem massiva para estadiar o momento da epidemia e diagnosticar com agilidade indivíduos com Covid-19 para colocá-los rapidamente em quarentena; triagem clínica de sintomas para classificação de risco de COVID-19 enquanto houve escassez de testes diagnósticos; monitoramento de infectados com uso de softwares de monitoramento e aplicativos de celular, sugere o documento.

Mortos

No boletim, onde foram observados os aspectos matemáticos e computacionais da evolução da epidemia do Covid-19 em Alagoas, foi utilizada a distribuição de probabilidades dos mortos ao longo da semana de 17/04 a 24/04 para estimar com certa precisão o número de infecciosos na semana de 03/04 a 10/04 e poder aferir a demanda de leitos normais e leitos de UTI ao longo do mês de maio.

Considerando, no entanto, que os resultados apresentados não são definitivos, uma vez que ao longo das próximas semanas as projeções podem mudar, “mesmo com novos leitos com inauguração prevista para o dia 15, do Hospital Metropolitano e da ampliação de leitos no Agreste, há previsão do colapso hospitalar devido à sobrecarga na demanda de leitos de UTI”.

Isolamento social

Conforme os professores, as medidas de isolamento social se mostram insuficientes. “A estratégia de relaxar a circulação de pessoas no estado de Alagoas durante o próximo mês deve ser cuidadosamente avaliada, visto que suas consequências vão intensificar o colapso no sistema de saúde já previsto com a manutenção do cenário atual. O relaxamento só deveria ocorrer quando estiverem disponíveis medidas de monitoramento através de softwares e ações efetivas de isolamento de doentes e profilaxia contra a contaminação”, recomendam os estudiosos.

Contaminação

O estudo aponta ainda que, em geral, após a contaminação, o indivíduo passa um tempo de incubação de 4,58 dias na fase exposta; começa a apresentar os primeiros sintomas (nos casos sintomáticos) e continua a circular normalmente por 2,09 dias no período infeccioso; cerca de 5 dias após a contaminação o indivíduo procura o hospital caso necessário. Ressalta, ainda, que estes valores correspondem às médias dos tempos estimados, mas que podem variar em casos individuais.

Porém, se reforça que os números de mortos e projeções de infecciosos do documento indicam que há um grande número de subnotificações da doença. Com base nessas estimativas, é provável que o número real de casos seja entre 15 e 35 vezes maior do que o divulgado e a tendência é que haja um grande aumento de pessoas contaminadas ao longo das próximas semanas.

Apesar de haver grande incerteza sobre o momento exato e ordem de grandeza do número de infecciosos por conta de fatores como estadiamento exato da epidemia, política de isolamento e comportamento social, preservados os padrões atuais de crescimento e políticas de controle, espera-se que o pico de infecciosos ocorra por volta da semana do dia 30 de junho, com um número da ordem de 60.000 infecciosos simultaneamente no pior dia e, se não forem endurecidas as condições atuais de isolamento, pode haver um pico na demanda da ordem de 1700 leitos de UTI em meados de julho.

Morte na fila das UTIs

Em entrevista ao CadaMinuto, a médica infectologista com referência em Covid-19, Sarah Dellabianco, afirmou que as probabilidades apresentadas no estudo são reais. “Se considerarmos que as pessoas que são internadas na UTI necessitam de ventilação mecânica e conforme os números crescentes da doença no estado, vamos chegar ao momento em que não vamos ter onde colocar os doentes”.

A médica alertou ainda que, se as pessoas continuarem a descumprir as recomendações do isolamento social, o número de doentes vai ser maior que o número de leitos e “infelizmente podem acontecer casos onde as pessoas vão morrer na fila de espera por uma vaga de UTI”.

A única forma de conter o avanço dos casos e tornar o cenário o menos caótico, segundo a infectologista seria “o endurecimento das medidas de isolamento social”.

Linha de frente

Quanto às questões emocionais dos profissionais que estão na linha de frente no combate ao novo coronavírus nos hospitais, a médica, que já enfrentou a pandemia de H1N1 em 2009,  falou que “as equipes estão muito dedicadas, porém caso aconteça um colapso não sei como vão agir, pois é uma realidade não vivida pela maioria deles”.

No entanto, “alguns profissionais, em sua maioria da área da enfermagem, mostraram receio de atuar e foram afastados”, explicou Sarah, reforçando que “o momento é de empenho e as equipes que estão no dia a dia estão dando o seu melhor”.



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Fonte minutoarapiraca.cadaminuto.com.br

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