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De rituais à proteção: história das máscaras ao longo do tempo- Blog Giga Medical

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A pandemia do novo coronavírus fez com que a máscara de proteção se tornasse item indispensável de segurança em todo o mundo. Em uso pelos orientais há mais tempo, chegou a vez dos ocidentais a adotarem no dia a dia.

O equipamento passou a ser item obrigatório em locais onde há atendimento ao público em Santa Catarina e em algumas capitais brasileiras, como São Paulo.

Máscaras de pano se tornaram item obrigatório para quem utilizar serviço com atendimento ao público – Foto: Flávio Tin/ND

Além disso, a peça, sob diferentes formatos e funções, está presente também no cinema, no teatro, em rituais religiosos e em festas como o carnaval brasileiro e o de Veneza, na Itália.

Com a popularização do uso, surge a pergunta: qual a história por trás da máscara? Em busca da resposta, o nd+ conversou com Fernando Martins, filósofo e fundador do Centro de Pesquisa da Máscara.

Primeiros registros

Registros pré-históricos mostram que a máscara já estava presente nas primeiras comunidades humanas que habitavam a região onde hoje fica a Europa. O uso provavelmente estava ligado a uma espécie de ritual criado pelas pequenas sociedades que começavam a se formar e se fixar em determinados locais.

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“Surge a necessidade de representar um fenômeno ou atividade. A máscara funciona como um meio de comunicação. Uma espécie de linguagem ou instrumento que comunica esse homem terreno com um deus ou criatura sobrenatural em diversas situações, sejam negativas ou positivas”, explica Martins.

Uso em diferentes culturas

Ainda hoje, a máscara é utilizada em diversas sociedades de forma parecida, em um contexto ritual. A África é um dos continentes onde o item mais aparece. Na Ásia, a máscara é usada em rituais religiosos e também no teatro topeng, popular na Ilha de Bali, na Indonésia. Nessas regiões as máscaras são feitas, principalmente, de madeira.

Na América Central e do Sul, em países como Bolívia, Peru, Equador e México, o item é usado em pequenas manifestações populares ligadas à miscigenação cultural, com influências europeias e do cristianismo.

Folguedo Cavalo-Marinho em Pernambuco – Foto: Roberta Guimarães/Governo do Estado de Pernambuco/ND

Segundo Martins, as máscaras estão relacionadas à religiosidade, mas também a temas como a exploração das populações mais pobres, representando a figura do oprimido e do opressor.

No Brasil, a máscara está presente, por exemplo, no folguedo pernambucano “Cavalo-Marinho”. A brincadeira popular reflete a sociedade colonial da Zona da Mata e surgiu nos intervalos do trabalho na lavoura da cana de açúcar, misturando teatro, música e dança em personagens animais, humanos e fantásticos. No folguedo popular, a máscara é feita por meio de papietagem, que mistura cola e papel.

Teatro e a proibição do uso

Na Grécia Antiga, a partir do século 5 antes de Cristo, as celebrações ao deus Dionísio contavam com o uso de fantasias e máscaras. Em seguida, foram incorporadas aos principais gêneros teatrais de peças daquela época: a tragédia e a comédia. Ou seja, as máscaras passam de artefatos ritualísticos para itens teatrais. A máscara teatral grega era confeccionada por materiais como folhas, madeira, argila e couro.

Na Idade Média, que vai do século 5 ao 15, a máscara entra em conflito com princípios cristãos e seu uso chega a ser proibido. Ligado a manifestações populares, o item passa a ser considerado um objeto profano, usado para cultuar outros deuses, fora do cristianismo.

Fernando Martins, fundador e diretor artístico e pedagógico do Centro de Pesquisa da Máscara – Foto: Arquivo pessoal/Fernando Martins/ND

Com o fim da Idade Média, há o afrouxamento desses princípios e a máscara ressurge, principalmente na Itália, no teatro de origem popular chamado commedia dell’arte.

“É uma satirização da sociedade que começava a ser capitalista. O oprimido e o opressor. São pequenas apresentações de artistas de rua que faziam uso das máscaras representando os papeis da época, como o comerciante, o mercador e o servo”, relata Fernando.

Máscaras mortuárias

A produção de máscaras mortuárias começa a se popularizar no fim da Idade Média e se tornará comum nas cortes europeias. Os itens eram feitos para registrar as feições de figuras importantes, como alguém que pertencia a um alto cargo na Igreja, por exemplo.

Estava presente em homenagens e esculturas que representavam a fisionomia da pessoa morta, como uma espécie de retrato. As máscaras mortuárias eram feitas de resinas moldáveis, como gesso e cera, que não deformavam o rosto.

Uso para proteção

Para Fernando Martins, ao longo dos séculos houve momentos em que se fez necessária a proteção da região da cabeça, por ser a parte do corpo que reúne os sentidos humanos, como a visão, a audição e a comunicação.

“Sempre que algum desses sentidos é colocado em risco, criam-se estratégias para proteger. Temos como exemplo, os óculos do aviador, a mordaça e as máscaras que protegem contra doenças”, descreve.

As armaduras medievais na Europa já contavam com capacetes cujo objetivo era de proteger o combatente. No Japão, as vestimentas dos soldados contavam com máscaras que indicavam a linhagem de nobreza dos cavaleiros.

Doutores da peste

Na esfera da saúde, as máscaras têm os primeiros registros de uso a partir do século 17 no combate à chamada peste negra ou peste bubônica que assolou a região da Europa e Ásia entre os séculos 14 e 18.

Máscara usada durante pandemia da peste negra no século 17 – Foto: Reprodução/ND

A historiadora Juliana Schmitt explica que à medida que as pessoas obtinham mais conhecimento sobre a peste, ainda que rudimentar, iam adaptando os trajes daqueles que tinham contato direto com os doentes. Eles ficaram conhecidos como “doutores da peste”.

A máscara tinha um formato de pássaro, com um bico comprido e olhos circulares e servia, também, para diferenciar os doentes dos médicos. Na ponta do bico eram colocadas ervas que tinham a finalidade de filtrar o ar para evitar que o médico contraísse a doença.

“Provavelmente não surtia efeito, mas havia a crença de que a máscara matinha o médico em segurança”, diz Juliana



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Fonte ndmais.com.br

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