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Máscaras viraram obrigatórias, mas eficácia ainda é motivo de debate- Blog Giga Medical

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Há uma cena famosa no filme Clube da Luta na
qual Tyler Durden está num avião folheando um daqueles manuais de segurança
sobre as saídas de emergência.

“Uma porta de saída a 9 mil metros de altitude”,
diz Durden (Brad Pitt). “A ilusão de segurança”.

É uma cena memorável porque ela fala das coisas
estranhas que os seres humanos fazem para garantir que estão seguros em
situações amedrontadoras. O que me traz à nova moda dos Estados Unidos: a obrigatoriedade
do uso de máscaras.

Pesquisas mostram que mais da metade dos
norte-americanos estão usando máscaras ao saírem de casa, supostamente para
deter a disseminação da Covid-19. O que cada um decide ou não usar é problema
seu, mas a moda é surpreendente, considerando que as autoridades governamentais
passaram meses aconselhando os norte-americanos a não usarem máscaras.

“Não costumamos recomendar o uso de máscaras para a
prevenção de doenças respiratórias”, disse a dra. Nancy Messonnier, diretora do
Centro Nacional de Imunização e Doenças Respiratórias no dia 31 de janeiro. “E não
recomendamos agora para este novo vírus”.

De fevereiro a março, falas semelhantes foram ditas
por várias autoridades e órgãos do governo.

O secretário de Saúde, Alex Azar, disse que “o
norte-americano médio não precisa de uma máscara N95. Elas servem mais aos profissionais
de saúde”. Ele foi endossado por Robert Redfield, diretor do Centro de Controle
e Prevenção de Doenças (CDC), que disse ao Comitê de Assuntos Estrangeiros da
Casa Branca que “essas máscaras não servem para nada na comunidade”. Em
fevereiro, o cirurgião-geral dos Estados Unidos implorou no Twitter: “PAREM DE COMPRAR MÁSCARAS”.

Apesar desses alertas, a popularidade das máscaras
aumentou. As “maskies” — selfies de pessoas usando máscaras — são moda no Instagram,
de acordo com a Fast Company. Elas
estão se tornando um símbolo e uma forma de expressão, um meio de mostrar solidariedade
e empoderamento.

“Com todos usando máscaras eu me sinto respeitada”,
disse uma mulher à National Geographic.
“A mensagem é: estou protegendo você, você está me protegendo, eu posso me
sentir segura”.

Sentir-se segura. Eis a palavra-chave. O fato de as máscaras
realmente impedirem a disseminação de doenças respiratórias continua sendo motivo
de debate.

Há um motivo para as autoridades terem dito o que
disseram. Várias pesquisas mostram que as máscaras protegem pouco ou nada
contra vírus que causam danos ao sistema respiratório, e algumas máscaras podem
até aumentar o risco de infecção.

Um teste clínico aleatório de 2009 descobriu que
máscaras cirúrgicas não oferecem qualquer proteção ao usuário. Um estudo de 2015 concluiu que as taxas de contaminação
eram especialmente altas nas máscaras de pano, sendo que havia a penetração de partículas
em quase 97% delas. Um artigo de 2016 que analisou seis estudos clínicos descobriu que as máscaras N95 não eram
melhores do que as máscaras médicas na prevenção às infecções respiratórias.

No dia 7 de abril, um artigo que analisava dados de
15 testes aleatórios concluiu que “em comparação com as pessoas que
não usaram máscaras, não houve redução nos casos de doenças semelhantes à gripe
entre a população em geral e os profissionais de saúde”.

Apesar da falta de provas empíricas, contudo, o
estudo recomendava o uso de máscaras com base “em provas observacionais feitas
durante a epidemia de SARS”. [Nota do editor: os autores também descobriram que
a maioria dos testes clínicos eram “mal planejados”, de modo que há poucas provas
para basear recomendações].

Um raciocínio semelhante talvez tenha orientado o
CDC em abril quando ele lançou um manual recomendando o uso de máscaras de pano para pessoas
saudáveis (ainda que a Organização Mundial da Saúde ainda aconselhasse o contrário).

“Recomendação” é a palavra-chave aqui. Estamos em
maio, apenas dois meses depois de as autoridades federais implorarem para os
norte-americanos não comprarem nem usarem máscaras, e muitas pessoas estão se vendo
obrigadas a usar máscaras para fazer compras e até para dar uma volta.

Neste mês, o hipermercado Costco começou a exigir que os consumidores usem máscaras para
fazer compras. Enquanto empresa privada, a Costco tem esse direito. Mas muitos estados, em meados de abril, começaram a
exigir que cidadãos usassem máscaras ao deixarem suas casas. O último estado a
entrar nessa foi Massachusetts. O decreto exige que todas as pessoas com mais de
dois anos de idade usem máscaras nos lugares públicos, mesmo que ao livre.

Em apenas dois meses, deixamos de pedir às pessoas
que não comprassem ou usassem máscaras (alertando que isso poderia aumentar o
risco de infecção) e passamos a ameaçar com multa e prisão aqueles que não as
usarem. Compreensivelmente, os norte-americanos estão confusos. E isso não
ajuda em nada.

Nesta semana, em Michigan, um segurança da rede
Family Dollar foi morto por ter impedido a filha de uma
mulher de entrar na loja porque ela não estava usando máscara. O segurança
estava aplicando o decreto que a governadora Gretchen Whitmer assinara duas semanas antes.

Embora só se possa responsabilizar as pessoas
diretamente envolvidas na morte do segurança, tais confrontos poderiam ser
evitados se os governos estaduais fossem um pouco mais humildes e reconhecessem
que as recomendações do CDC não são um dogma e que as conclusões do órgão
(claramente) não são infalíveis.

Em geral, o uso de boas ideias não
requer medidas de força
. E a verdade é que, com base em várias
pesquisas médicas e nos relatórios do próprio governo federal, não se sabe ao
certo quão eficiente é uma máscara como medida contra o contágio da Covid-19.

Deixando de lado a saúde pública, não se está
questionando o impacto psicológico das máscaras.

“O coronavírus está por aí e nós nos sentimos
impotentes”, disse o dr. William Schaffner, professor de
medicina preventiva na Vanderbilt University. “Ao usarmos máscaras, de
alguma forma sentimos que estamos no controle de novo”.

Em certo sentido, a moda das máscaras tem a ver com
nossos temores. Como observou recentemente meu colega Sean Malone, quando
as pessoas estão com medo elas se mostram mais dispostas a aceitar qualquer
coisa
que acreditam capazes de deixá-las mais seguras. Até mesmo medidas e
ideias péssimas.

A ilusão de segurança. É algo poderoso. Ao que
parece, tanto para os seres humanos comuns quanto para os governantes.

Jonathan Miltimore é editor da FEE.org.

© 2020 FEE. Publicado com permissão. Original em inglês



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Fonte www.gazetadopovo.com.br

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