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hospitais do Rio recebem máscaras sem filtro para covid, diz MPT

Profissionais de enfermagem de ao menos três hospitais do Rio dizem que máscaras de proteção distribuídas pela prefeitura não têm filtro e são insuficientes para garantir proteção contra o novo coronavírus. Os relatos foram repassados ao MPT-RJ (Ministério Público do Trabalho do Rio de Janeiro), que move ação civil pública contra o município, exigindo melhores condições de trabalho nas unidades de saúde.

O Rio de Janeiro é o estado com mais óbitos de enfermeiros e técnicos de enfermagem no país —37 mortes, segundo o Cofen (Conselho Federal de Enfermagem). Até ontem (22), foram contabilizadas 150 mortes de profissionais de saúde por covid-19 ou com suspeita da doença e mais de 16 mil afastamentos.

Uma enfermeira do hospital Miguel Couto, no Leblon, zona sul, enviou vídeo ao UOL para exibir máscara recebida na mesma unidade onde foi denunciado risco de contágio em ala para covid-19. As imagens foram anexadas à ação civil pública do MPT-RJ, que também exige melhorias nos hospitais Souza Aguiar, Lourenço Jorge e Salgado Filho.

“A máscara não tem filtro. Tem só a camada do TNT e essa camada azul [diz, enquanto a manuseia]. Não é uma máscara N-95”, critica.

22.mai.2020 - Profissionais de saúde de hospitais municipais do Rio de Janeiro dizem que máscaras fornecidas pela prefeitura são insuficientes para minimizar os riscos de contágio por coronavírus - Arquivo pessoal

22.mai.2020 – Profissionais de saúde de hospitais municipais do Rio de Janeiro dizem que máscaras fornecidas pela prefeitura são insuficientes para minimizar os riscos de contágio por coronavírus

Imagem: Arquivo pessoal

À reportagem, ela deu mais detalhes sobre o equipamento. “Essa máscara não tem a especificação adequada contra a covid. Ela só serve para partículas, como fumaça e poeira. E é imprópria para impedir infecções. Os profissionais estão trabalhando com a ideia de que estão dentro dos padrões. Mas não é o que está acontecendo”, denuncia.

Sob a condição do anonimato, uma técnica de enfermagem do hospital Lourenço Jorge, na Barra, zona oeste do Rio, disse que usa uma máscara N-95, adquirida por conta própria. “Recebi uma máscara azul para trabalhar, mas ela não é a recomendada pelo Ministério da Saúde e Vigilância Sanitária.”

A situação ainda foi relatada por profissionais em atividade no Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, zona norte do Rio, onde o MPT-RJ também já revelou superlotação e acúmulo de corpos sem refrigeração.

‘Máscara inadequada’, diz especialista após ver o vídeo

A pedido do UOL, a enfermeira Lilian Bhering, coordenadora nacional do grupo de alta complexidade da Rede Universitária de Telemedicina, do Ministério de Ciência e Tecnologia, analisou o vídeo que mostra a máscara usada nos hospitais do Rio.

A máscara é inadequada. Ela é insuficiente, por não conter os filtros apropriados para a retenção de micropartículas relacionadas à covid. Há máscaras que não filtram o coronavírus. O profissional passa o plantão achando que está com a máscara adequada, mas acaba correndo o risco de ser contaminado

Lilian Bhering, enfermeira

Ela atribui o alto número de mortes de enfermeiros e técnicos de enfermagem no país à falta de EPIs (equipamentos de proteção individual), cargas horárias exaustivas e contato com pacientes infectados nos leitos.

Para ela, o uso de máscaras inadequadas pode agravar a situação. “O ideal seria que o gestor testasse a eficácia das máscaras. Mas, na prática, quem está fazendo isso é o profissional de saúde, lá na ponta”, lamenta.

21.mai.2020 - MPT-RJ denuncia uso de capotes de pano no Hospital Municipal Miguel Couto, na zona sul do Rio, insuficientes para minimizar riscos de contágio por covid-19, doença causada pelo novo coronavírus  - Arquivo

21.mai.2020 – MPT-RJ denuncia uso de capotes de pano no Hospital Municipal Miguel Couto, na zona sul do Rio, insuficientes para minimizar riscos de contágio por covid-19, doença causada pelo novo coronavírus

Imagem: Arquivo

Manoel Neri, presidente do Cofen, critica o fornecimento de máscaras insuficientes para minimizar o risco de contágio. “Isso é uma irresponsabilidade, porque coloca os profissionais de saúde em risco de contaminação. As máscaras indicadas são as cirúrgicas, N-95 ou PFF-2, conforme os protocolos indicados pela Anvisa”, explica.

O que diz a Prefeitura do Rio

Procurada pelo UOL para se manifestar sobre o caso, a Prefeitura do Rio contestou as informações contidas na denúncia do MPT-RJ, com base nos relatos dos profissionais de saúde.

Em nota, disse que o hospital Miguel Couto recebeu 2.000 máscaras N-95 e outros equipamentos de proteção individual neste mês. “Todos os itens estão dentro dos padrões e normas técnicas estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Ministério da Saúde”, disse a Secretaria Municipal de Saúde, em nota.

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Fonte noticias.uol.com.br

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