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Golpe no ar: Bolsonaro sobrevoa os 3 Poderes; sem máscara, saúda golpistas – 25/05/2020

O presidente Jair Bolsonaro voltou a participar neste domingo de manifestações golpistas, atacando, ainda que por intermédio de apoiadores, mais uma vez, o Supremo e o Congresso. Pior: deu várias voltas de helicóptero sobre a Praça dos Três Poderes, como a declarar a Supremacia do Executivo sobe os demais. Era a mímica simbólica de um golpe.

“Ora, não invente, Reinaldo!”

Respondo indagando: Davi Alcolumbre, presidente do Congresso, ou Dias Toffoli, presidente do Supremo, já sobrevoaram a Presidência ou a Praça? Por que o presidente pode sobrevoar o Congresso e o Supremo?

Acabou-se, assim, uma ilusão de curta duração: o “Bolsonarinho Paz & Amor”. Durou um dia e meio: quinta-feira e parte da sexta (leia post).

O domingo começou com maus auspícios. O perfil do presidente no Twitter trazia a seguinte mensagem:

“Lei 13.869/2019 – Abuso de Autoridade
Art. 28 Divulgar gravação ou trecho de gravação sem relação com a prova que se pretenda produzir, expondo a intimidade ou a vida privada ou ferindo a honra ou a imagem do investiga ou acusado: pena – detenção de 1 (um) a 4 (quatro) anos.

Bolsonaro acusar alguém de abuso de autoridade é piada que já nasce adulta. Nem precisa ser alimentada com leite condensado. Note-se antes que avance: a lei trata de “exposição de intimidade ou da vida privada”. O Palácio do Planalto é prédio público. A reunião dizia respeito, como lá se delirou, aos próximos 10 anos do Brasil. Nada havia de vida privada. As barbaridades ditas dizem respeito à vida pública.

Aquilo tudo é chocante? É. Em uma reunião de 115 minutos (1 hora e 55 minutos ou 6.900 segundos), o presidente disse 34 palavrões, o que dá a média de um a cada 209 segundos — ou 3 minutos e 29 segundos. Nota: Para chegar ao número exato, é preciso lembrar que hora tem base 60, não 100. Caso se dividam 209 segundos por 60 para achar a média dos minutos, chega-se a 3,48. Ocorre que esse “0,48” corresponde a 48% de 60 segundos ou um minuto: logo, 29 segundos (com arredondamento) — daí os 3 minutos e 29 segundos.

Tirando os impropérios — como o do rapaz que diz que topa matar ou morrer, do outro que quer prender todo o STF ou de uma terceira que pretende pôr em cana governadores e prefeitos, foram 41 palavrões: média de um a cada 168 segundos: ou 2 minutos e 48 segundos — também com arredondamento.

Obviamente as paredes do Planalto nunca ouviram nem abrigaram nada parecido. Será que deve ser Celso de Mello a zelar pela honra e pela imagem de pessoas públicas? Sigamos.

DOMINGAO DO GOLPISTA
Depois da postagem, Bolsonaro pegou o helicóptero no Alvorada e desembarcou no anexo da Vice-Presidência. E caiu nos braços da galera depois dos sobrevôos. De início, estava de máscara. Depois, tirou. Abraçou apoiadores e crianças. Cartazes faziam pregação contra o Supremo, o Congresso e a imprensa.

Apenas 3,5 quilômetros separam o Alvorada da Praça. De carro, são cinco minutos. Por que escolher o helicóptero? Para mandar um recado — de caráter obviamente golpista. Ele vai dar o golpe? Não. A tática é justamente esta: degradar a democracia. Durante a ditadura, mais de uma vez helicópteros militares sobrevoaram a Praça dos Três Poderes. Mas o presidente não estava no interior do aparelho.

Quando na rampa do Planalto, Bolsonaro estava acompanhado de seguranças e dos deputados federais Hélio Lopes (PSL-RJ), Carla Zambelli (PSL-SP) e Bia Kicis (PSL-DF) e dos ministros Onyx Lorenzoni (Cidadania) e Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), que emitiu uma nota golpista na sexta.

ALVORADA
Mais tarde, Bolsonaro fez seu já tradicional encontro com apoiadores às portas do Alvorada. Estava acompanhado de Fernando Azevedo e Silva, ministro da Defesa, que foi exaltado: “Hoje, em grande parte, é o ministro da Defesa que conduz as três Forças Armadas, essas que sempre estiveram do lado do povo, da democracia, da lei e da ordem. As Forças Armadas pertencem ao Brasil, não ao presidente. O presidente é o representante, o chefe supremo das Forças Armadas, que, obviamente, sabendo o seu verdadeiro papel, e, tendo um homem à altura na frente delas, o Brasil tem tudo para dar certo”.

Primeiro sobrevoa os demais Poderes. Depois tenta evidenciar a sua plena identidade com os militares, ao lado do ministro da Defesa. É golpe? Não! Mas querem agir como se fosse.

Um dos presentes exaltou Abraham Weintraub, que, na reunião, pregou cadeia para os “vagabundos do Supremo”. O que disse Bolsonaro? Isto:
“Nós classificamos como secreto aquele encontro, nem precisa. Poderia ter destruído a fita, porque não é encontro formal, oficial, mas nós resolvemos manter a fita. Poderia ter destruído, não teria penalidade, mas resolvemos manter.”

É mentira! Não havia classificação nenhuma de “secreto”. Depois de aberto o inquérito, se o vídeo tivesse sido apagado, seria um caso flagrante de destruição de provas. É uma das razões previstas no Artigo 312 do Código de Processo Penal para que se decrete a prisão preventiva. O presidente não pode ser preso. Mas os ministros sim!

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Fonte noticias.uol.com.br

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