UnB pesquisa danos neurológicos da covid-19 Leave a comment

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Efeitos no sistema nervoso foram detectados em cerca de 30% a 40% dos pacientes infectados

Uma pesquisa realizada na Universidade de Brasília em parceria com diversas universidades federais e hospitais no Distrito Federal, Ceará e São Paulo está sendo realizada para tentar identificar quais são as possíveis causas para os danos neurológicos detectados em pacientes contaminados com a covid-19.

“Já foi identificado que o vírus Sars-Cov-2 possui a capacidade de invadir o sistema nervoso central. Não é todo mundo que apresenta essas manifestações neurológicas, e ainda não se sabe porque algumas pessoas podem sofrer com essa invasão. O que nós queremos saber é por que isso acontece. O que faz com que algumas pessoas tenham esses sintomas e outras não”, explica o médico neurologista e professor da Faculdade de Medicina da UnB Felipe Von Glehn.

Os efeitos colaterais neurológicos do covid-19 foram detectados em cerca de 30% a 40% dos pacientes infectados. O sintoma mais comum dessa invasão ao sistema nervoso central, de acordo com o médico e pesquisador, é a perda do olfato e paladar. Mas também já foram registradas convulsões, dores de cabeça, ou mielites (inflamação na medula espinhal que provoca problemas motores).

Nervo olfatório

Para a realização da pesquisa, as universidades e hospitais envolvidos recolhem amostras de material biológico dos pacientes internados, como fluídos do nariz, sangue e líquido colhido na medula espinhal. No caso da UnB, a busca por material vai mais adiante. “Estamos fazendo uma análise patológica nos pacientes que vierem a óbito. (…) No caso dos pacientes que vêm a óbito, se a família autorizar, a gente vai retirar o nervo olfatório para identificar sinais da presença do vírus”. Também são adotadas ressonâncias cerebrais, eletroencefalogramas e exames nos nervos.

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Atualmente existem duas principais hipóteses acerca da ação do vírus no sistema nervoso central. Uma delas é considera a possibilidade do vírus atacar diretamente os neurônios, enquanto que a outra seria de que os sintomas seriam resultado da ação de um mecanismo de defesa do organismo contra o vírus, mas que acaba provocando danos aos neurônios.

Felipe afirma que os equipamentos adquiridos com o investimento na pesquisa não serão utilizados somente para fins acadêmicos, mas também para exames hospitalares. “A gente visa também o lado social. Queremos deixar esse material à disposição de pacientes do Sistema Único de Saúde. Achamos importante deixar um legado para o hospital, para que todos se beneficiem do equipamento que a gente compra”.

Síndrome em crianças

Enquanto que em adultos uma parcela dos pacientes desenvolve danos neurológicos, nas crianças com covid-19 existe o risco de se desenvolver a Síndrome Inflamatória Multissistêmica, uma síndrome rara mas que requer atenção especial e leva crianças à internação.

“A gente observa na covid-19 que, em algumas situações, o organismo desenvolve uma resposta inflamatória tão acentuada que pode causar disfunção de diversos órgãos”, explica a médica infectologista e professora da UnB Valéria Paes Lima. Esse quadro já chegou a ser associado ao da doença de Kawasaki, uma mal que afeta o desenvolvimento do sistema vascular da criança, mas estudos mais recentes descartam essa possibilidade.

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Saiba Mais 

Os sintomas da Síndrome Inflamatória Multissistêmica incluem febre, dificuldade para respirar, alterações na mucosa da boca e alterações cardíacas. “É um quadro grave que precisa ser identificado rapidamente pelos médicos. Geralmente é uma criança grave a ponto de precisar de internação hospitalar”, afirma a infectologista Valéria Lima.

Valéria afirma que esse quadro, mesmo que grave, ainda é raro, e ainda não foi oficialmente registrado no Distrito Federal.

“O mais habitual na pediatria é que as manifestações clínicas sejam mais leves. (…) A gente sabe que isso pode acontecer, mas é um evento raro”, conta a médica.

A orientação dada aos hospitais é de acompanhar o desenvolvimento da doença em mulheres grávidas e em crianças para que, caso a síndrome se desenvolva, seja imediatamente identificada.

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Fonte jornaldebrasilia.com.br

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