De mala e máscara: como é viajar pela Flórida, nos EUA, no pós-quarentena – 28/06/2020 Leave a comment

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“Há três caixas trancadas à direita do portão da frente. Sua chave estará na caixa número 1. Utilize o código de acesso enviado mais cedo. Seu quarto é o número 4. Prossiga pelos degraus da frente, vire à esquerda, atravesse a varanda da frente sentido lado esquerdo do prédio. O quarto fica na segunda porta”.

Parece até instrução de caça ao tesouro ou missão secreta, mas, na verdade, essas são as orientações para fazer o check-in em um hotel em tempos de pandemia. O destino escolhido foi a ilha de Key West, na Flórida, nos Estados Unidos.

Hospedagem

Fechada para visitantes desde 22 de março, a ilha reabriu no início de junho. Hotéis, bares, restaurantes e demais estabelecimentos estão operando com no máximo 50% da capacidade, segundo regulamentação local.

key west - covid - Getty Images - Getty Images

Cena de um passado recente: em março (25), com a cidade fechada para os turistas, à espera de clientes

Imagem: Getty Images

No hotel em que fiquei hospedada, não tive contato algum com funcionários. Depois de seguir as instruções enviadas por celular para entrar na pousada e encontrar meu quarto, preenchi os formulários do check-in e depositei os papéis em uma caixa ao lado do que normalmente seria a recepção. Em vez de um acalorado “bem-vindo”, havia no quarto uma carta de boas-vindas com dicas da cidade e um mapa.

Para se servir no buffet do café da manhã, era obrigatório o uso de luvas e máscara. Utensílios e pratos eram descartáveis e o fluxo era de no máximo seis hóspedes por vez. O serviço de quarto não existiu. Para preservar os funcionários, o hotel optou por minimizar a entrada deles nos quartos ocupados. Foram duas diárias e o serviço não fez falta.

Turismo de máscara e sem muvuca

Participei de dois tours tradicionais para quem visita a ilha pela primeira vez: o da Hemingway House e um passeio de barco com mergulho. No museu, que reúne a história do escritor norte-americano Ernest Hemingway, o tour foi de máscara e em um grupo com menos de dez pessoas. Conforme avançávamos pela casa, o guia ia desinfetando o corrimão das escadas e controlando o fluxo de visitantes por ambiente.

Key West Aviso sobre o uso de máscara na loja que vende a torta de limão mais famosa da Flórida  - Natasha Bin/UOL - Natasha Bin/UOL

Na porta da loja que vende a torta de limão mais famosa da Flórida, aviso sobre uso de máscaras

Imagem: Natasha Bin/UOL

Trem turístico percorre as ruas de Key-West  - Evandro Augusto/UOL - Evandro Augusto/UOL

Turistas de máscaras no trem turístico que percorre Key West

Imagem: Evandro Augusto/UOL

Já no barco, que saiu com metade da capacidade — que sorte a nossa, segundo o operador de turismo — ninguém usava máscara, a não ser a de mergulho (quando dentro da água!). Na proa do barco, o vento levou embora qualquer vestígio de pandemia. Ficaram apenas sol, um mar com águas cristalinas e muita vida marinha no único recife de corais próximo à costa norte-americana.

Outra atração imperdível de Key West é assistir ao por-do-sol na Mallory Square. Os turistas se reúnem, com distanciamento social de 1,5 metro demarcado por vários “X” no chão, no local para curtir o fim de tarde. Apresentações de artistas locais embalam a caída do sol e há opção de acompanhar tudo em um passeio de barco regado a champanhe.

key west - Natasha Bin/UOL - Natasha Bin/UOL

O mar dessa cor intensa quase me fez esquecer da pandemia

Imagem: Natasha Bin/UOL

Por do sol em key West - Natasha Bin/UOL - Natasha Bin/UOL

Meu primeiro por-do-sol na cidade: distanciamento respeitado pela plateia

Imagem: Natasha Bin/UOL

No meu primeiro fim de tarde na ilha, as demarcações estavam sendo seguidas. Já no segundo dia, com a cidade mais movimentada, a aglomeração só não se deu por conta das nuvens no céu, que atrapalharam o cenário e dispersaram os turistas.

Primeiro estranhamento: refeições em restaurantes

Apesar do clima turístico no ar, a pandemia não dá trégua. Você se lembra que nada está “normal” quando existe um estranhamento ao fazer refeições em um restaurante depois de tanto tempo comendo apenas em casa. Por mais que haja medição de temperatura na entrada, álcool gel para todo lado, ambiente aberto e ventilado, máscara em todos os atendentes e até cardápios descartáveis, a desconfiança em comer em público paira sobre a mesa.

Fica ainda pior quando trazem o pedido com luvas. Ou quando você vai ao banheiro de máscara e lava as mãos pelo menos três vezes, além de passar álcool em gel na saída. Ou quando a mesa ao lado está interditada com faixas amarelas e um “X” vermelho. Ou quando alguém se levanta sem máscara e é abordado por um segurança: ou anda de máscara ou volta para a mesa. A fiscalização não está a passeio.

durval street - key west - Getty Images - Getty Images

Duval Street, a rua mais famosa de Key West, com bares, lojas e restaurantes

Imagem: Getty Images

Segundo estranhamento: hino nacional no bar

Nas ruas o clima é de festa, praticamente uma New Orleans com ares de praia: bares, música ao vivo e gente se movimentado com copos coloridos nas mãos. Em um bar localizado na varanda de um hotel na Duval Street, a rua mais agitada da ilha, pude ouvir uma cantora e seu violão puxando um coro, não do hit do verão, mas do hino nacional dos Estados Unidos.

Pode parecer totalmente inusitado, mas foi altamente cantado e celebrado, com direito a gritos de U-S-A no final. A “canção” parou até quem passava do outro lado da rua. Com a mão no peito, todos pediam para ficarmos fortes e unidos. A artista aproveitou e lembrou o público de que as gorjetas eram apreciadas, principalmente para o pessoal do bar que ficou mais de dois meses sem trabalho.

key west durval street - Natasha Bin/UOL - Natasha Bin/UOL

Vida (aparentemente) normal na foto que tirei na Duval Street

Imagem: Natasha Bin/UOL

Hemingway House - Nastash Bin/UOL - Nastash Bin/UOL

Mas cenas como essa nos lembram do momento: turistas na frente da Hemingway House

Imagem: Nastash Bin/UOL

Relaxar é possível

Relaxar e aproveitar a viagem é possível, mas não cem por cento do tempo. Junto com a máscara e o álcool em gel, a “noia” também veio na mala. Na primeira noite no hotel, acordei no meio da madrugada pensando na loucura e no risco disso tudo. Por sorte e sono, logo voltei a dormir. Para uma viagem no pós-quarentena, um final de semana foi suficiente.

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Fonte www.uol.com.br

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