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Infectologista explica riscos do uso facultativo de máscaras

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Deputada Caroline de Toni (PSL-SC) criou polêmica ao apresentar projeto de lei que obriga uso de máscaras apenas para quem apresenta sintomas da Covid-19

Após a polêmica envolvendo o projeto de lei (14.019/2020) da deputada federal Caroline de Toni (PSL-SC) sobre o uso facultativo de máscaras, a reportagem do ND+ conversou com a médica infectologista Carolina Ponzi para esclarecer a efetividade do uso dessa proteção.

A proposta da parlamentar é que a utilização seja obrigatória apenas para pessoas que apresentam sintomas da Covid-19.

Uso de máscaras é obrigatório em espaços públicos e privados. Foto: Divulgação/Internet/ND

Segundo a infectologista, se o uso de máscaras for desobrigado, a população irá relaxar, inclusive as pessoas do grupo de risco para doença grave. “Usar máscara não é confortável, mas muito menos confortável é utilizar um cateter de oxigênio, ou um tubo orotraqueal. Isso a população precisa saber. Usar máscara vai proteger a todos, de maneira universal, e mostra respeito e consideração pela vida do outro”, alerta. 

Desconhecido

De acordo com a médica, no início da pandemia, quando não se conhecia realmente os efeitos e impactos da doença nem a prevalência na população, a OMS (Organização Mundial da Saúde) e o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos da América) recomendaram que apenas profissionais da saúde e pacientes sintomáticos utilizassem máscaras.

Porém, a médica destaca que é preciso diferenciar o que é uma pessoa assintomática não infectada,  uma pré-sintomática e uma oligossintomática. “Os não infectados, obviamente, não transmitem o vírus, mas existem pessoas que estão infectadas e não desenvolverão sintomas, chamados assintomáticos verdadeiros”.

 Ponzi explica que algumas pessoas já têm o vírus no seu organismo, mas ainda não desenvolveram sintomas, são as pré-sintomáticas, e existem os sintomáticos também. “Somente uma testagem por RT-PCR  acessível a todos, de maneira irrestrita, poderia dizer quem se enquadra em cada categoria”, esclarece. 

Para identificar presença do vírus é preciso testes acessíveis a todos- Foto: Divulgação

A orientação da OMS é para o uso de máscaras como forma de combate à doença, além de recomendar o distanciamento de, pelo menos, um metro entre as pessoas e a higienização frequente das mãos.

Contaminação

Os pacientes pré-sintomáticos excretam vírus pelo nariz e pela boca em quantidades bastante consideráveis. Quando as pessoas falam ou tossem, liberam partículas de saliva que podem ser aspiradas por quem está próximo.

De acordo com a infectologista, estudos científicos mostram que os pré-sintomáticos podem ser responsáveis por até 80% das transmissões. 

Os principais sintomas graves da Covid-19 são tosse, dificuldade para respirar e febre alta. Foto: Pixabay/ND

As pessoas oligossintomáticas, ou seja, aquelas com sintomas leves e pouco sugestivos à Covid-19, e que minimizam esses sintomas e não ficam isoladas, estão, na verdade, doentes, e transmitem o vírus.

“Esta é uma das explicações, aliás, do motivo da rápida disseminação do SARS-Cov2 no mundo, e é muito bem explicada pela equipe da Columbia University, em Nova York, em um paper do professor Jeffrey Shaman”, ressalta a médica. 

Estudos

Conforme Ponzi, um estudo comparou as taxas de transmissão do SARS-Cov2 no Distrito de Columbia antes e depois do uso universal de máscaras pela população, mostrando que houve redução no número de casos novos depois da obrigatoriedade do uso do dispositivo.

Recentemente, o New England Journal of Medicine também publicou um estudo mostrando que o uso da máscara poderia fazer com que um número maior de pessoas ficasse imune ao SARS-COV2 ou à Covid-19. “Quanto maior a carga viral inalada por uma pessoa, maior o risco de adoecer, e de ter sintomas graves”. 

Segundo a infectologista, o fato de as máscaras de pano permitirem a passagem de pequenas quantidades de vírus permitiria “pequenas” contaminações, fazendo com que o organismo da pessoa produzisse anticorpos e a deixasse protegida. 

Pesquisas compararam a taxa de transmissão antes e depois do uso de máscaras – Foto: Reprodução/Record TV

Projeto de lei

O projeto  de lei apresentado pela deputada tem como objetivo obrigar apenas quem está contaminado a utilizar a máscara, deixando facultativo para as pessoas saudáveis, uma vez que não são transmissoras do vírus.

O projeto visa ainda revogar penalidades impostas de forma abusiva aos cidadãos, comerciantes e indústrias, como as multas e a reincidência, sendo que esta última é considerada como agravante na aplicação das penalidades.

Por meio de sua assessoria de imprensa,  a deputada cita estudos, sem referenciar quais, que apontariam que pessoas assintomáticas não transmitem o vírus.

Projeto de lei apresentado pela Deputada Caroline de Toni gerou polêmica (PSL-SC) – Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados/ND

Outros exemplos

Segundo ela, é importante observar que vários países da Europa adotaram o uso facultativo das máscaras. “Cito o exemplo da Suécia que adotou o uso facultativo das máscaras, além de não ter estabelecido regras rígidas de confinamento da população. Enquanto outros países da Europa registraram uma segunda onda de contágios, a Suécia, desde junho, registra quedas nos números”. 

A deputada ressalta que a eficácia da máscara poderia ser discutida se todos usassem da forma que é recomendada, ou seja, trocar a cada duas horas, bem como se houvesse mais cuidados no manuseio. “Certamente essas preliminares não são respeitadas e o ato de usar continuamente a mesma máscara ao longo de um dia inteiro, causa muito mais malefícios do que benefícios. Não estamos propondo a extinção do uso da máscara, mas sim o uso facultativo para os cidadãos saudáveis”, complementa. 



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Fonte ndmais.com.br

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